Porque é que isto não se estranha?
Uma cronica do Expresso
Porque é que isto não se estranha?
Uma pequena notícia do «DN» do passado domingo dava-nos conta de que Fátima Felgueiras tem a trabalhar, para si e para a sua campanha, assessores e empresas de comunicação que estiveram ligadas ao CDS de Paulo Portas. Há notícias que, por mais estranhas que pareçam, não surpreendem. E fazem mesmo todo o sentido.
Um responsável da agência de comunicação, Salvador da Cunha, que assessorou a campanha eleitoral de Portas diz que está, agora, «a título pessoal, apenas a dar uma ajuda» a Fátima Felgueiras. Mas lá vai adiantando que tem fornecido «uns conselhos» sobre a «concepção estratégica» da lustrosa campanha que encheu as ruas de Felgueiras dois dias depois de a foragida à Justiça ter regressado do Brasil. E também sobre a forma de «gerir mediaticamente o assunto». Um assunto delicado, quer da óptica comunicacional quer do ponto de vista judicial, como se compreende.
Já um outro agente deste tipo de comunicação, Tiago Cardoso, que foi assessor de imprensa da ex-ministra Celeste Cardona, desempenha agora idênticas funções no movimento «Sempre Presente» que acolita Fátima Felgueiras. «Precisavam de um assessor e aceitei», explica com desenvoltura.
Paulo Portas, Celeste Cardona, Fátima Felgueiras, agências e assessores especializados no nicho de mercado do populismo político e nos problemas de imagem protagonistas partidários de periclitante credibilidade. Porque será que nada disto se estranha?
